terça-feira, 24 de julho de 2012

Amores da vida- M



ouço meu nome na sua voz que nunca ouvi
paixao,me chama desse relento
me perco nos teus inventos que jamais
pude tocar ou ter em minha pele

escreve teu destino em mim
o tempo nao mudou nada
vivo,morto,alma cansada
se espalha como virus sem fim

ja faz alguns dias e voce se foi
e esse meu ultimo vicio vem dizer
do desperdicio de tentar esquecer
meu antigo suplicio de pensar em ti


vou me distrair,tomar uns goles e sumir
mas nada me afasta do nada que existe
sobre essa distancia de nao entender
essa ansia das tentativas de te esquecer

nao tente nao tentar me entender
ou vou ser perdido como um ser
jogado na inexistencia de um abrigo
que só teus braços me tirariam do perigo

só me resta um pouco do remédio
para um louco entre caos e tédio
vou quebrar seus ossos se não me salvar
desses destroços do que há entre nós

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Escorbuto -3-

Era mais uma cena da minha vida. Havia algumas pessoas. Eu era o coadjuvante da minha própria história. Não,não. Eu era o figurante, o bêbado no canto,apenas observando as coisas. Tão vazio e vago. Todos pareciam atordoados tentando obedecer algum roteirista desconhecido. Devia ser mais um pervertido, masturbador de mentes.
Encarei firmemente um dos personagens que tomava meu destino. Eram olhos verdes e apagados,vazios. Talvez fora parte de algum farol convidativo. SIGA EM FRENTE, dizia o farol. Agora era de um verde velho,como de uma garrafa de cereja estilhaçada em alguma briga de um bar de quinta categoria. Provavelmente em uma briga entre a vida e a morte.
Continuei fitando os olhos verde-cansaço. Por um momento pensei em lutar. Levantei,cambaleei,cheguei perto daquele invador de caminhos.
-Olha, você me fez uma pedra na minha própria trilha, eu disse.
Pode continuar. Não quero minha vida mesmo. Mesmo.

Escorbuto -2-

Eu estava em um balcão de um bar qualquer da cidade. O primeiro que vi aberto. Sequei uma dose de vodka em um gole só. Olhei perdida para as pessoas em volta. Casais infelizes, homens pervetidos, mulheres desiludidas.
-Oi, posso beber contigo?
Ele havia sentado ao meu lado. Tinha olhos ensandecidos,brilho contínuo. Uma boca um pouco caída mas não era dos piores sujeitos. Ensaiou um abraço por meu lombo. Mal sabia que acabara de conhecer mais um de tantos idiotas que iriam passar por mim.Sempre foi melhor estar longe das pessoas. Acendi um cigarro e pedi mais uma dose

Escorbuto -1-

Um cigarro seca minha boca.
Meu lábios molham o cigarro.
Um pensamento seca minha vida.
A chuva cai,molha e estraga meu cigarro,
Jogo-o à enchurrada.
Sigo andando como qualquer vida seca e podre
caminhando em São Paulo.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

O Ponto que chegamos é o ponto final

Bem que teu ídolo alertou minha ira
A mão que afaga agora aponta e atira
Esse sangue que corre um dia foi santo
Hoje tão trêmulo, esquálido espanto

Eu avisei: o amor nos separaria
Tenho essa marca crava no peito
Pensar que o destino se atreveria
Manchar minha boca, queimar o teu leito

Para de achar que tudo é ferro e guerra
Se nem ao menos lembro tua existência
Minha alma segue,te esquece e enterra
Pra viver sem rastro dessa tua demência

Meu amor, que será de nós?
Paira surda e doente sem voz
Minha alma apaga tua memória
Esquece essa piada que foi nossa história

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Mais romantismo.

De que me vale viver? Quero sentir essa dor que tememos. Isso faz tudo valer a pena. Mortos não sentem dor, mortos não se ferem. Desde que vi teus olhos brilhantes tudo fez sentido. Aquela luz de encontrar quem é perfeito pra mim me fez estremecer diante de ti. Corpos, lábios,palavras e pensamentos. Tudo fez sentido. Se daqui cem anos ou dez segundos tudo doer, a música virar doença e seu gosto se tornar em fumaça, qual o problema? Isso não te faz errado. Humanos tem o defeito de achar que a pessoa certa é aquela que torna tudo intacto. Na verdade a pessoa perfeita para cada um é aquela que nos faz sentir alegria, tesão e dor emocional. Tudo isso faz parte da vida. Cansei de me sentir um cão morto jogado ao limbo. Se tu podes me fazer sentir lágrimas e sorrisos,isso te torna a perfeição pra mim. Não importa o futuro e aonde vaguemos amanhã, em lixos ou luxos, mas tudo faz sentido quando vejo que pensarei em ti até o fim dessa existência. Suba nesse carrossel doentio e vamos pular e brindar porque no fim esse abraço é tudo que importa.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Morrer e gozar

Ela estava parada diante de mim. Poderia ser mais uma gorda vadia de quinta categoria. Se vestia como se não importasse com homens que talvez adorariam lhe penetrar de maneira vulgar e muito menos com os que a criticariam pelo peso em excesso distribuido em curtas e ousadas roupas obscuras.
Eu estava escondida em minha velha jaqueta preta e parada com um igarro barato na boca. Senti ódio,rancor,dor por saber quem era aquela vagabunda roliça. A prensei na parede em um ímpeto que poderia durar toda a minha vida. Olhar demente e cansado de alguém que já sentiu a maior dor e a maior alegria. Eu via e não havia sentido naquele brilho opaco dos olhos escuros. Beijei seus delicados lábios e senti o gosto da perdição, dos medos do mundo. Ela carregava o mundo em suas costas. As mesmas costelas que arranhei com orgulho e ódio. Ela queria dizer algo mas não conseguia,afinal era calada por ter as cordas vocais cortadas na infância. Ela nunca pode gritar e apenas arfava doentemente quando lhe pisavam na cabeça, quando eu mordia os seios grandes,carnudos e sensíveis.
Finalmente ela reagiu me apalpando e abrindo as pernas enquanto eu enfiava meus dedos na vulva quente e carnuda. Eu odiava aquela garota mas queria penetrar nela,na alma,no corpo,nas vísceras. Os movimentos insentificavam e ela abria a boca,abri as pernas, se sacudia,tremia como um galho fraco ao vento. Eu não parava de mexer os dedos e morder o frágil pescoço. Eu morreria naquilo,ela morreria ali.
Por um instante ela parou e tentou mexer os lábios para dizer algo. A beijei e senti gosto de sangue. Ela mexeu novamente os lábios e pude entender algo como "Morrerei em você". Um braço meu pelo pescoço dela, um dedo no clitóris dela, um grito silencioso e quando tudo estava prestes a acabar em prazer e dor,eu cai. Cai,levantei e ela não estava mais lá. Minhas unhas estavam parecidas com as dela e então entendi que ela existia em mim. Acendi um cigarro, me apoiei nos próprios ombros e chorei.