terça-feira, 24 de julho de 2012

amores da vida#3


Eu esperei na esquina da minha casa
Eu te beijei na porta da tua casa
me entorpeceu e eu vou te encontrar
é madrugada e não sei onde te procurar

Quem você seria em minha companhia?
O que raios você me diria
eu, sua precoce distração?
Que te importa eu beber dessa ilusão?

Grite: Vem depressa tocar minha alma
os fantasmas se foram no seu abraço
mas e se eu não era nada alem de um maço
de cigarros barato para uma leve calma

Quem eu seria em sua companhia?
O que nos infernos eu diria
você, minha amostra grátis de esperança?
Que me importa se nem te valho uma dança?

Não há remédio,não há corpo
que cure a saudade e o não saber
o que poderíamos ser se
Não me chutasses como bicho morto

Se eu me apaixonar eu vou embora
Um beijo pra depois,um abraço de agora
Mas eu vou querer rastejar e ser
o ser que vai querer te adorar

Que eu seria sem sua companhia?
Agora que só tenho a recordação,
tua foto em meu bolso e uma pilula de rejeiçao
desejando sua pele na madrugada fria

E eu nao vou voltar
E eu nao vou parar
E eu não vou voltar
Adeus, querido
um corpo estendido
Mas eu vou voltar...

Amores da vida #2



Quem somos nós
Isso ainda importa?
Nao sei se ja importou

Importa o que nos deixa tão distante
Importa essa dor leve pela manhã que
Me quebra nesse teu olhar inconstante
Me afoga entre beijos e licor de romã

Dizem que é sorte,vida e não sou mais eu
cada abraço ja nao é de alguem ou seu
nao ha o calor do seu peito nas imagens
dos sorrisos e bobagens deitados no leito

e poder te ver chegando e beijar a tristeza
é sonho que choro em três lágrimas de pureza
hoje quero bater nas portas da cidade
gritando seu nome: minha dor,minha felicidade

se tiver que ser febril,vai arder nos colos
quentes que nunca sentiram essa flecha
sangrando meu ser vazio nesses solos
onde ando chorando atras de porta que se fecha

Amores da vida- M



ouço meu nome na sua voz que nunca ouvi
paixao,me chama desse relento
me perco nos teus inventos que jamais
pude tocar ou ter em minha pele

escreve teu destino em mim
o tempo nao mudou nada
vivo,morto,alma cansada
se espalha como virus sem fim

ja faz alguns dias e voce se foi
e esse meu ultimo vicio vem dizer
do desperdicio de tentar esquecer
meu antigo suplicio de pensar em ti


vou me distrair,tomar uns goles e sumir
mas nada me afasta do nada que existe
sobre essa distancia de nao entender
essa ansia das tentativas de te esquecer

nao tente nao tentar me entender
ou vou ser perdido como um ser
jogado na inexistencia de um abrigo
que só teus braços me tirariam do perigo

só me resta um pouco do remédio
para um louco entre caos e tédio
vou quebrar seus ossos se não me salvar
desses destroços do que há entre nós

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Escorbuto -3-

Era mais uma cena da minha vida. Havia algumas pessoas. Eu era o coadjuvante da minha própria história. Não,não. Eu era o figurante, o bêbado no canto,apenas observando as coisas. Tão vazio e vago. Todos pareciam atordoados tentando obedecer algum roteirista desconhecido. Devia ser mais um pervertido, masturbador de mentes.
Encarei firmemente um dos personagens que tomava meu destino. Eram olhos verdes e apagados,vazios. Talvez fora parte de algum farol convidativo. SIGA EM FRENTE, dizia o farol. Agora era de um verde velho,como de uma garrafa de cereja estilhaçada em alguma briga de um bar de quinta categoria. Provavelmente em uma briga entre a vida e a morte.
Continuei fitando os olhos verde-cansaço. Por um momento pensei em lutar. Levantei,cambaleei,cheguei perto daquele invador de caminhos.
-Olha, você me fez uma pedra na minha própria trilha, eu disse.
Pode continuar. Não quero minha vida mesmo. Mesmo.

Escorbuto -2-

Eu estava em um balcão de um bar qualquer da cidade. O primeiro que vi aberto. Sequei uma dose de vodka em um gole só. Olhei perdida para as pessoas em volta. Casais infelizes, homens pervetidos, mulheres desiludidas.
-Oi, posso beber contigo?
Ele havia sentado ao meu lado. Tinha olhos ensandecidos,brilho contínuo. Uma boca um pouco caída mas não era dos piores sujeitos. Ensaiou um abraço por meu lombo. Mal sabia que acabara de conhecer mais um de tantos idiotas que iriam passar por mim.Sempre foi melhor estar longe das pessoas. Acendi um cigarro e pedi mais uma dose

Escorbuto -1-

Um cigarro seca minha boca.
Meu lábios molham o cigarro.
Um pensamento seca minha vida.
A chuva cai,molha e estraga meu cigarro,
Jogo-o à enchurrada.
Sigo andando como qualquer vida seca e podre
caminhando em São Paulo.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

O Ponto que chegamos é o ponto final

Bem que teu ídolo alertou minha ira
A mão que afaga agora aponta e atira
Esse sangue que corre um dia foi santo
Hoje tão trêmulo, esquálido espanto

Eu avisei: o amor nos separaria
Tenho essa marca crava no peito
Pensar que o destino se atreveria
Manchar minha boca, queimar o teu leito

Para de achar que tudo é ferro e guerra
Se nem ao menos lembro tua existência
Minha alma segue,te esquece e enterra
Pra viver sem rastro dessa tua demência

Meu amor, que será de nós?
Paira surda e doente sem voz
Minha alma apaga tua memória
Esquece essa piada que foi nossa história