Era mais uma cena da minha vida. Havia algumas pessoas. Eu era o coadjuvante da minha própria história. Não,não. Eu era o figurante, o bêbado no canto,apenas observando as coisas. Tão vazio e vago. Todos pareciam atordoados tentando obedecer algum roteirista desconhecido. Devia ser mais um pervertido, masturbador de mentes.
Encarei firmemente um dos personagens que tomava meu destino. Eram olhos verdes e apagados,vazios. Talvez fora parte de algum farol convidativo. SIGA EM FRENTE, dizia o farol. Agora era de um verde velho,como de uma garrafa de cereja estilhaçada em alguma briga de um bar de quinta categoria. Provavelmente em uma briga entre a vida e a morte.
Continuei fitando os olhos verde-cansaço. Por um momento pensei em lutar. Levantei,cambaleei,cheguei perto daquele invador de caminhos.
-Olha, você me fez uma pedra na minha própria trilha, eu disse.
Pode continuar. Não quero minha vida mesmo. Mesmo.
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012
Escorbuto -2-
Eu estava em um balcão de um bar qualquer da cidade. O primeiro que vi aberto. Sequei uma dose de vodka em um gole só. Olhei perdida para as pessoas em volta. Casais infelizes, homens pervetidos, mulheres desiludidas.
-Oi, posso beber contigo?
Ele havia sentado ao meu lado. Tinha olhos ensandecidos,brilho contínuo. Uma boca um pouco caída mas não era dos piores sujeitos. Ensaiou um abraço por meu lombo. Mal sabia que acabara de conhecer mais um de tantos idiotas que iriam passar por mim.Sempre foi melhor estar longe das pessoas. Acendi um cigarro e pedi mais uma dose
-Oi, posso beber contigo?
Ele havia sentado ao meu lado. Tinha olhos ensandecidos,brilho contínuo. Uma boca um pouco caída mas não era dos piores sujeitos. Ensaiou um abraço por meu lombo. Mal sabia que acabara de conhecer mais um de tantos idiotas que iriam passar por mim.Sempre foi melhor estar longe das pessoas. Acendi um cigarro e pedi mais uma dose
Escorbuto -1-
Um cigarro seca minha boca.
Meu lábios molham o cigarro.
Um pensamento seca minha vida.
A chuva cai,molha e estraga meu cigarro,
Jogo-o à enchurrada.
Sigo andando como qualquer vida seca e podre
caminhando em São Paulo.
Meu lábios molham o cigarro.
Um pensamento seca minha vida.
A chuva cai,molha e estraga meu cigarro,
Jogo-o à enchurrada.
Sigo andando como qualquer vida seca e podre
caminhando em São Paulo.
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