Ela estava parada diante de mim. Poderia ser mais uma gorda vadia de quinta categoria. Se vestia como se não importasse com homens que talvez adorariam lhe penetrar de maneira vulgar e muito menos com os que a criticariam pelo peso em excesso distribuido em curtas e ousadas roupas obscuras.
Eu estava escondida em minha velha jaqueta preta e parada com um igarro barato na boca. Senti ódio,rancor,dor por saber quem era aquela vagabunda roliça. A prensei na parede em um ímpeto que poderia durar toda a minha vida. Olhar demente e cansado de alguém que já sentiu a maior dor e a maior alegria. Eu via e não havia sentido naquele brilho opaco dos olhos escuros. Beijei seus delicados lábios e senti o gosto da perdição, dos medos do mundo. Ela carregava o mundo em suas costas. As mesmas costelas que arranhei com orgulho e ódio. Ela queria dizer algo mas não conseguia,afinal era calada por ter as cordas vocais cortadas na infância. Ela nunca pode gritar e apenas arfava doentemente quando lhe pisavam na cabeça, quando eu mordia os seios grandes,carnudos e sensíveis.
Finalmente ela reagiu me apalpando e abrindo as pernas enquanto eu enfiava meus dedos na vulva quente e carnuda. Eu odiava aquela garota mas queria penetrar nela,na alma,no corpo,nas vísceras. Os movimentos insentificavam e ela abria a boca,abri as pernas, se sacudia,tremia como um galho fraco ao vento. Eu não parava de mexer os dedos e morder o frágil pescoço. Eu morreria naquilo,ela morreria ali.
Por um instante ela parou e tentou mexer os lábios para dizer algo. A beijei e senti gosto de sangue. Ela mexeu novamente os lábios e pude entender algo como "Morrerei em você". Um braço meu pelo pescoço dela, um dedo no clitóris dela, um grito silencioso e quando tudo estava prestes a acabar em prazer e dor,eu cai. Cai,levantei e ela não estava mais lá. Minhas unhas estavam parecidas com as dela e então entendi que ela existia em mim. Acendi um cigarro, me apoiei nos próprios ombros e chorei.
quinta-feira, 29 de dezembro de 2011
Para meu querido
Não há nada de errado em você. O erro também não está em mim. Simplesmente tudo a nossa volta tem falhas e defeitos e talvez apenas nós dois tenhamos um rastro de beleza e perfeição. Não importa o que dizem de nós ou o que acontecerá no futuro. Vou passar dias e noites perdida em tudo que considero cansativo e desgastante. Você vai passar muitas experiências, boas e ruins. Vai doer,vai ferir,vai sorrir. Você vai ter uma infinidade de substâncis no seu sangue e umas tantas mulheres. Vou viver embriagada por dias e me lamentar depois. Vou também ser de alguns homens. O que isso importa? Você nunca vai sair da minha vida.Mesmo que você entre pelas portas do limbo,sempre estará em mim. No meu último suspiro vai ter um pouco do seu toque que talvez eu nunca tenha sentido mas imaginei por tantos anos.
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